É possível ser "ecologicamente correto" e ter filhos?
Infelizmente, vivemos em uma época que precisamos pensar sobre isto...
Em 1900, a população mundial estava em torno de 1,65 bilhões habitantes e atualmente somos mais de de 6,6 bilhões de pessoas.
A maioria desta população mundial está abaixo da linha da pobreza enquanto uma minoria continua consumindo os recursos da Terra indiscriminadamente. E o cerne da questão é justamente este, pois não existem recursos disponíveis para retirar esta maioria da população da miséria e aumentar seu padrão de consumo sem que isto afete profundamente o destino ecológico da Terra; assim como não também não é ecologicamente sustentável que uma minoria continue com seus hábitos de consumo predatórios.
Segundo o metereologista Prof. Dr. Carlos Nobre:
“É impossível mudar essas coisas de um dia para o outro, mas isso tem que ser mudado. O planeta não tem recursos naturais para manter o consumo de energia, o consumo de alimento, o consumo de proteína animal que a classe média brasileira ou que os Estados Unidos ou a Europa Ocidental têm. Se os chineses pobres, se os indianos e se todos os pobres do mundo quiserem chegar até a metade desse nível, então teremos que mudar profundamente nossas expectativas sobre o futuro da humanidade”
Isto quer dizer que não é ecologicamente correto ter filhos?! É, acredito que lamentavelmente não é.
Mas também acredito que ter filhos é uma renovação do nosso compromisso com a própria humanidade. Pois, nos dias que correm (e voam) e com as "urgências" consumistas com que somos bombardeados, é muito fácil esquecermos de nossas responsabilidades com os outros seres vivos que habitam a Terra, mas acredito que a maternidade e paternidade pode nos fazer refletir acerca nosso papel para a sustentabilidade do planeta. Logo, tornar-se mãe e pai pode ter o poder de ampliar nossa consciência ecológica.
Contraditório? Talvez, mas tremendamente humano...
Eu entendo que algumas decisões devem ser tomadas agora para que nossos filhos (netos, bisnetos...) possam também ter algum grau de arbítrio, pois do contrário só relegaremos a eles problemas insolúveis.
Estas decisões que devemos tomar passam pelo plano pessoal e pelo plano político. Isto quer dizer que não adianta somente diminuir o consumo de sua casa ou procurar produtos ecologicamente sustentáveis, sem cobrar das autoridades competentes, produtores e da sociedade em geral uma postura sustentável.
Será que você está achando este discurso radical? Espero que não, pois não me considero ecologicamente radical. Aliás, na minha prática cotidiana ainda estou "anos luz" de conseguir levar uma vida sustentável (como a maioria dos que não vivem em uma ilha deserta ou caverna), mas quero que a Terra de minhas filhas tenha uma chance de se recuperar.